Londres 2012

Quarteto brasileiro chega longe em Londres mesmo sem contar com patrocínio privado

Esquecidos, irmão Falcão, Adriana Araújo e Yane Marques sobrevivem com pouco apoio
13/08/2012 12:38 - Atualizado em 13/08/2012 12:38
Por Francisco Junior
RIO

Yane Marques conquistou bronze inédito no pentatlo - Foto: John Macdougall / AFPEsquiva Falcão, Yamaguchi Falcão, Adriana Araújo (todos do boxe) e Yane Marques (pentatlo moderno) são exemplos de atletas brasileiros que conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres praticamente sem apoio. Um feito que pode abrir caminho para mudar o tratamento que o Brasil dá à modalidades menos badaladas.

As Confederações de boxe e pentatlo moderno recebem da Lei Agnelo/Piva R$ 2 milhões e R$ 1,5 milhão anuais cada, respectivamente. Os pugilistas ainda ganham uma ajuda da Petrobras: R$ 3,2 mil de salário, mais R$ 1,2 de vale-refeição e R$ 800 de plano de saúde.

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Entre as entidades que mais recebem recursos da lei federal está a Confederação Brasileira de Atletismo, que conta com R$ 3,2 milhões anuais. Mas a modalidade, que também tem o apoio da Caixa Econômica Federal (recebeu da CEF um total de R$ 58 milhões no ciclo olímpico), decepcionou em Londres, deixando os Jogos Olímpicos sem medalhas pela primeira vez desde Barcelona 1992.

Primeiro pugilista do Brasil a fazer uma final olímpica, Esquiva Falcão lembrou que um olhar mais atento ao boxe poderia render um número maior de medalhas ao país. Esquiva citou o exemplo do futebol, que conta com enorme investimento, mas disputa apenas duas medalhas (uma no masculino, outra no feminino).

- No boxe olímpico, temos dez categorias. Se as dez tiverem apoio e patrocínio, podem chegar longe. São dez lutadores e dez chances de medalha. No futebol, são onze jogadores e só uma medalha. Eles ganham milhões, mas a prata deles vale a mesma coisa que a minha. O centro de treinamento do futebol vale milhões, enquanto temos dificuldades para treinar – comentou Esquiva, que perdeu a final da categoria médio por um ponto para o japonês Ryoto Murata.

Yane Marques tem apoio fundamental do exército

Para disputar um esporte caro como o pentatlo moderno, Yane Marques, natural da cidade de Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, precisou ser integrada ao Exército. Os trabalhos realizados por Yane com seu treinador Alexandre França acontecem na Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro. A pernambucana, medalha de bronze em Londres, consegue viver graças ao apoio militar - ajuda para viagens e competições, além do soldo, que está próximo de R$ 2,5mil mensais - e ao que recebe da Bolsa Federal.

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Em 2009, Yane Marques foi uma das primeiras atletas brasileiras a ser integrada ao Exército, com o objetivo de se formar uma equipe forte para os Jogos Mundiais Militares do Rio, disputados em 2011. A aposta deu certo, e a atleta conquistou medalha de ouro por equipes e prata no individual.

Competindo na modalidade desde 2003, a pernambucana vem quebrando sucessivos recordes para o Brasil no pentatlo moderno. Aos 28 anos de idade, Yane Marques já é o maior nome do país na história do esporte.


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