Vela

Torben Grael admite que lixo em raia olímpica pode definir medalha nos Jogos de 2016

Chefe de equipe tem medo de sujeira no mar atrapalhar os atletas na Baía de Guanabara
29/07/2014 15:31 - Atualizado em 29/07/2014 18:08
Por ahe!
RIO

A melhor equipe olímpica de vela do mundo, como afirmou o presidente da confederação da modalidade, Marco Aurélio de Sá Ribeiro, foi apresentada nesta terça-feira, em um evento realizado pela própria CBVela e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) no Rio Yacht Club, em Niterói. Apesar de todo o investimento realizado na modalidade, que tem histórico de muitas conquistas (17 medalhas), os atletas estão cientes de que vão encontrar um adversário extra no meio do caminho: o lixo na Baía de Guanabara, local onde serão realizadas as regatas nos Jogos de 2016.

O chefe da equipe Torben Grael não tentou “esconder a sujeira debaixo do tapete” e admitiu que a questão da raia olímpica é um problema recorrente. De acordo com o dono de cinco medalhas olímpicas (empatado com Robert Scheidt como o brasileiro com maior êxito na história da competição), os detritos que ficam submersos podem prejudicar muito um atleta em uma regata.

- Essa questão (limpeza da Baía de Guanabara) não é uma polêmica, é uma realidade. Precisa melhorar e, sinceramente, esperamos que melhore. Há o problema de a cidade sede apresentar um local de competição com aparência estranha. Dá uma conotação horrorosa. Para os atletas, para a competição, o lixo é a maior dificuldade. Um saco submerso pode atrapalhar e muito o desempenho de um atleta em uma regata e até definir um pódio - disse o “Turbina”, lembrando que a promessa da candidatura olímpica do Rio no momento da eleição foi limpar as águas em, no mínimo, 80%.

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A experiência de participar de seis edições de Jogos Olímpicos, além de uma vida inteira dedicada aos mares, ou melhor: à vela, Torben ameniza a situação ao dizer que, nessa época do ano (quando os Jogos do Rio de Janeiro serão disputados), há a chegada de frentes frias e a aparência da água tende a ficar melhor.

No total, 30 atletas estiveram presentes no evento realizado no Rio Yacht Club; na foto acima, Torben Grael (no centro) tem a companhia de John Bennet, Adriana Behar, Marco Aurélio Sá Ribeiro e Jorge Bichara (da esquerda para a direita) - Fotos de divulgação/Heitor Vilela/COB e Fred Hoffmann/CBVela

Os melhores do mundo presentes no Aquece Rio

A equipe brasileira apresentada nesta terça já faz os últimos ajustes para participar do Aquece Rio International Sailing Regatta, primeiro evento-teste para os Jogos Olímpicos Rio 2016, que será realizado entre os dias 2 e 9 de agosto. A competição serve de parâmetro para avaliação do estágio técnico da equipe, que tem como principal competição neste ano o Campeonato Mundial de Santander, na Espanha, entre oito e 21 de setembro.

No Aquece Rio, estarão presentes 324 atletas, de 34 países, e o país será representado na competição com duas embarcações para cada uma das dez classes. Robert Scheidt acredita que esta será uma grande oportunidade para todos os atletas testarem a raia na mesma época em que será disputada a olimpíada.

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- Vou para a água como em todas as outras competições, com vontade de ganhar, mas sem a pressão de não poder cometer nenhum erro. Chego embalado pela vitória no Sudeste de Laser, disputado na semana passada, que contou com a presença de alguns velejadores estrangeiros - disse Robert Scheidt, bicampeão olímpico e 15 vezes campeão mundial.

No total de 30 atletas da equipe, 28 estiveram presentes no evento realizado no Rio Yacht Club, entre eles Robert Scheidt, Bruno Prada, Fernanda Oliveira, Isabel Swan, Jorge Zarif e Martine Grael. O local será a base da equipe brasileira durante o evento-teste e pode ser utilizado com a mesma finalidade para os Jogos de 2016.

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